Economia brasileira: o bunker sitiado e sua síndrome - parte 2

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Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial

 

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Meus caros, não é sempre que se acorda inspirado no dia em que se precisa entregar um artigo escrito. Simplesmente é algo que não se controla, mas quase sempre, quando a inspiração falta, o esforço precisa compensar. Por outro lado, quando ela bate na porta, me sinto agraciado por dois elementos: conexão imediata com o texto e economia de tempo com boa qualidade final (ao menos pela minha ótica, veja bem).

Contudo, em tempos de bunker sitiado, quando a imaginação falha o noticiário ajuda. E hoje não foi diferente. Acesso os jornais e vejo as notícias direto do bunker, onde se aborda os últimos acontecimentos da reunião ministerial pós reforma.

Acreditem, não deve ser fácil a vida no bunker, e desta vez sobrou até para o Paraguai, que está ali quietinho, observando os acontecimentos políticos no gigante adormecido.

Li em uma matéria da Folha de São Paulo de que a nossa Líder referiu-se a movimentação que ocorre no parlamento pelo seu impedimento, como um possível “golpe democrático a paraguaia”, fazendo inicialmente óbvia referência ao ocorrido com o presidente impedido Fernando Lugo. Não satisfeita em desqualificar os dispositivos previstos na própria constituição, com rito, processo e encadeamentos claramente regulamentados, completou a “pedalada” afirmando que “o Brasil não é o Paraguai” e que “temos instituições fortes”, atribuindo um desnecessário julgamento implícito sobre a solidez das instituições do Paraguai.

Isso tudo, depois de uma semana desastrosa na qual o governo empreendeu uma forte ofensiva dirigida ao relator do TCU, colhendo como resultado a unanimidade do tribunal tanto no apoio ao relator, como na reprovação das contas governamentais apreciadas, que agora passam sob a análise do congresso  (que por sua vez, aproveitou para deixar claro sobre o poder que detém sobre a sua própria agenda, ao não votar os vetos presidenciais relacionados a pauta bomba ainda restante.)

Porém, as contribuições no bunker surgem de todos os lados. Com a reforma ministerial fresquinha, e a equipe econômica insistindo  no argumento de que a nova CMPF duraria por curto período e de que até por esse motivo não seria assim tão danosa ao contribuinte - que convenhamos vive para pagar impostos-, eis que o novo ministro da saúde surge e como uma de suas primeira declarações na nova pasta, afirma defender que a CPMF seja definitiva. Isso mesmo leitor, para sempre, eterna.

É isso, seguimos acompanhado, mas fica aqui um questionamento para pensar. O que seria do governo se tivesse que enfrentar uma oposição organizada?

Em resumo, sobrou para o Itamaraty.

Até o próximo

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