11 fatos sobre o empreendedorismo

Este artigo é patrocinado pela Plataforma Brasil, uma butique especializada em projetos de investimentos e estruturações estratégicas.

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial

 

Caro leitor, já se foi o tempo em que abrir mão de uma carreira sólida (em areia movediça é claro) em uma grande empresa para abrir o próprio negócio causava espanto e estranheza. Quando eu mesmo comecei vivenciei um pouco deste estado.

Estava lá bem instalado em um banco de investimentos, quando decidi seguir a estrada solo do empreendedorismo. Me recordo ainda como se fosse hoje dos olhares espantados dos meus colegas de MBA ao escutar o relato da minha decisão. Valeu a pena.

Nesta época (e calma, não faz tanto tempo assim) a expressão “empreendedorismo” pouco era pronunciada, os cursos de gestão e negócios não abordavam o assunto e pouquíssima literatura dedicada existia a disposição.

Contudo em meio a tanta carência, existia também a falta de algo que nunca é demais faltar no mundo real, a saber: os clichês  e  conceitos, quase sempre desconectados da realidade, empacotados e anunciados com frases pré-fabricadas, pronunciadas por mestres que muitas vezes jamais empreenderam na vida (ou se empreenderam invariavelmente colecionaram uma leva de quebradeiras travestidas e explicadas por afirmações do tipo “ah matamos a primeira hipótese e estamos seguindo a segunda”, como se o ambiente de negócios e o universo legal/fiscal vivenciado pelo empresário brasileiro – instalado em São Paulo, no Rio Grande do Sul ou em Manaus – fosse idêntico ao enfrentado na Califórnia, ou em outros polos e regiões no mundo,  que para turbinar a livre iniciativa coloca a disposição ambientes extremamente desburocratizados em uma dinâmica pouco punitiva ao fracasso e irrigada com um sistema de crédito amigável.

Sugiro a conversa com um empresário de verdade (que tenha enfrentado crises, consequências pessoais difíceis por conta do caminho que decidiu escolher e perseverado construindo e colocando cada tijolo para erguer algo sólido), independentemente do porte ou setor de atuação, para questionar se este mundo colorido, leve e engraçadinho existe. Ele vai rir de você.

Então, para encurtar esse assunto e provocar um mergulho na realidade, compartilho abaixo alguns fatos bem reais sobre o mundo empreendedor, que vale a pena sim e pode trazer muita realização e bons lucros, desde que saibamos sonhar e ambicionar sem tirarmos os pés do chão.

Vamos lá:

1. Você não enfrentará menos pressão e uma carga de trabalho mais suave ao se tornar dono da sua própria empresa. Ao contrário, a pressão se multiplicará e sua carga de trabalho será exaustiva;

2. Você terá contato íntimo com a loucura burocrática do Brasil. Isso é chatíssimo e tomará um tempo preciso do seu processo criativo. Para compensar você terá de contar com os finais de semana ou feriados e eventualmente se acostumará a acordar muito mais cedo do que acordava e encerrar seu dia tarde da noite;

3. Nem sempre seus familiares apoiarão da forma que você necessita, a dedicação que terá de dirigir para o seu projeto/ negócio;

4. Você de fato vai ganhar liberdade e autonomia, que pode ser muito prazeroso para alguns, mas muitos sofrem com isso. Junto com esses benefícios vem a solidão. O empreendedorismo é sim uma atividade bastante solitária. Ao final do dia, você e seus sócios precisam tomar decisões difíceis, pagar as contas e arcar com as responsabilidades, enquanto seus funcionários vão descansar tranquilamente;

5. Você terá que ser duro muitas vezes, e encarar isso com naturalidade para não sucumbir. Nem sempre você vai conseguir manter a máscara do “líder legal” e parecerá muito mais com o “chefe chato”. Não há como escapar dessa dualidade.

6. Caso seja você um empreendedor precavido e com a cabeça no lugar, sua dinâmica de aquisição de bens materiais, conforto e supérfluos vai se reduzir drasticamente, mesmo que já esteja na fase onde ganha mais dinheiro do que ganhava como empregado. O motivo é simples: o seu contato com a realidade econômica e suas consequências em caso de stress e insucesso passa a ser tão real, que cada gasto é observado com cautela. E acredite, isso é muito bom.

7. Não se prenda a padrões e clichês estruturais ou de comportamento na construção do seu negócio. Você não precisa ser nem o “líder legal” nem “o chefe rabugento” nem o “oráculo visionário do futuro” ou mesmo ambicionar ter uma sala de convivência com jogos e almofadas colorias e bolas de basquete misturadas com raquetes e mesas  de pingue pongue. Tudo isso pode ser muito legal e realmente divertido, mas não pode se transformar em um propósito em si. No lugar disso seja você mesmo, desde que muito eficiente, e preocupe-se em contar com uma estrutura funcional e organizada de trabalho. Não perca tempo.

8. Muito do que se lê sobre empreendedorismo passa a impressão à um observador com pouca astúcia  de que “no mundo de hoje” empreender necessariamente relaciona-se com inovação ou inovação tecnológica. Isso é falso, e você não precisa lidar com tecnologia, com a web ou com a inovação necessariamente dita para se tornar um empreendedor bem sucedido. O mundo não pode prosseguir sem agronegócio, fertilizantes, açougues, hotéis, serviços para pets, serviços domésticos, segurança privada, supermercados, lojas de rua (quase nenhuma ou pouquíssimas operações de e-comerce são rentáveis), restaurantes, bares, casas noturnas, serviços de limpeza e lavanderias, estruturas de escritórios compartilhados, iniciativas culturais, produção de conteúdo, cinema, teatro, consultorias presenciais com empenho de cérebros humanos realmente preparados e privilegiados etc etc etc etc, e naturalmente tudo aquilo que é intrinsicamente ligado a tecnologia da informação e de processamento. Não se enquadre em modelos. Procure trabalhar com o que você gosta de fazer e diferencie-se seja pela exploração de um nicho de mercado, de uma forma nova ou significativamente melhor de atender e trabalhar, pelo atendimento de necessidades reais, ou simplesmente fazendo melhor aquilo que muitos já fazem a séculos. 

9. Dependendo do negócio que pretende montar, você não precisará necessariamente de um investidor, seja um “anjo” ou um venture. Necessitará sim de alguma reserva para eventualidades e coberturas. Trate o processo de atração de um investidor de risco com o máximo de maturidade e penas se for mesmo imprescindível.

10. Acostume-se com o fato de que por mais que adore atuar no setor onde decidiu empreender, muitas vezes (cotidianamente) terá de se dedicar a atividades chatas e desagradáveis. Isso faz parte e talvez seja o antídoto para que não se transforme em um compulsivo pelo trabalho e deseje sustentar uma vida pessoal e afetiva satisfatória e totalmente dissociada da sua empresa. Não abra mão desse equilíbrio.

11. Por último é importante que se entenda que empreender está mais para um estilo de vida que decidiu viver do que para um passeio no bosque. Exigirá paciência, resiliência, sangue frio e força. Não é para qualquer um e não é nada fácil, mas vale muito a pena.

Até o próximo.

 

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