TRANSPARÊNCIA FINANCEIRA: DESAFIO PARA O MERCADO DE FRANQUIAS

Em 1994 foi promulgada a Lei 8955 – Lei do Franchising – que estabeleceu a obrigatoriedade da existência de contrato escrito entre franqueadores e franqueados. Como se vê pela primariedade deste item, vivíamos no caos antes da regulamentação

Esta mesma Lei instituiu a COF – Circular de Oferta de Franquias – documento de abertura de informações para que o candidato avalie a oportunidade de investimento antes de assinar qualquer contrato. Mas será que atingiu seu objetivo?

Do ponto de vista financeiro a única obrigatoriedade que a Lei impôs foi a publicação de demonstrativos financeiros da franqueadora para que se saiba se é uma empresa saudável. Vale dizer que, não raro, franqueadores sonegam esta informação na COF sem qualquer consequência.

Passados 24 anos, está mais do que na hora de evoluirmos no campo legislativo, incorporando a mais óbvia das obrigações: a cessão de dados financeiros reais das unidades franqueadas para que os candidatos possam tomar decisões racionais.

Por dados financeiros queremos dizer histórico de faturamento das unidades franqueadas, demonstrativos de resultados reais, valores de estoques, capital de giro, entre outros indicadores fundamentais para uma análise responsável.

Atualmente franqueadores tendem a fornecer o mínimo de dados ao candidato, temerosos de serem processados no futuro. Percebe-se também um despreparo dos profissionais envolvidos no que diz respeito a questões financeiras.

Esta lógica é perversa e precisa ser mudada, chegando ao ponto em que a sonegação de informação seja considerada indução ao erro e punida com pesadas multas.

O mercado de franquias precisa evoluir para fazer frente à nova realidade, com investidores mais qualificados, multifranqueados, taxas de juros mais baixas, entre outros fatores. Não há mais espaço para conta feita em papel de pão.

Accountability e transparência financeira são desafios prementes para o franchising no Brasil; estas questões precisam fazer parte da pauta para atualização da Lei do Franchising, sob pena de se trocar seis por meia dúzia.

Renato Claro é graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Economia de Empresas pela EAESP FGV, com MBA em Finanças pelo IBMEC, tem larga experiência em estruturação de novos negócios e franquias, mercado que atua desde 1992. Foi máster-franqueado da Fastsigns International para o Brasil, além de passagens por Unilever, Grupo Pão de Açúcar, Tulip International (Dinamarca), Grupo Microlins, Grupo Plamarc e Grupo Publitas.

Sócio Fundador da Kick Off Consultores, assessora empreendedores na formatação de novos negócios, na compra e venda de empresas, além da captação de recursos para investimentos

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