Uma Cultura Infalível para Destruir Resultados

 

Caríssimos leitores, depois de já ter defendido a ganância e a ambição como valor econômico e vetor para a justiça social, desta vez, trago um pouco de ironia corporativa.

Por favor, leiam, mas não façam em casa ok?

A ideia de redigir este texto veio de um diálogo simples.

Ele foi travado na sala de reunião de uma gestora de recursos de capital de risco, diante da qual representava os interesses de um cliente interessado em atrair investimentos para o seu plano de expansão.

O sócio principal da gestora se levanta na hora da despedida e diz aos meus clientes – “gosto muito quando vocês vem aqui, não são arrogantes, mantém os pés no chão, e preservam a elegância mesmo nos momentos mais estressantes”.

Era de fato uma negociação complexa, desgastante e repleta de idas e vindas.

Em meio ao teatro do cotidiano, perceber a virtude, já é a própria virtude.

Ainda no trânsito voltando ao escritório, por incrível que pareça, o que tomava conta da minha cabeça não eram os evidentes desafios que ainda enfrentaríamos naquela transação.

Mas na percepção do que motivou o elogio do meu interlocutor aos meus clientes.

Determinados padrões só trazem destruição

Pensando nisso, me sensibilizei no quanto alguns padrões comportamentais são relevantes para a determinação do fracasso e do êxito de alguns projetos empresariais, e no quanto de confiança e desconfiança inspiram nos seus interlocutores mais astutos.

O ponto é que a arrogância turva o senso crítico, e com isso não há voo empreendedor que não seja assim, meio cego. Bom, o resultado é conhecido.

Muita empáfia, poucos resultados.

 

Não permita nunca o império da burrice

Sendo assim, descrevo abaixo algumas dicas que representam tudo aquilo que você não deve fazer, caso não deseje formar uma equipe oca, sem conteúdo, e onde a burrice impere sobre a inteligência e a capacidade.

Vamos lá:

1. Eleja uma geração, como a “mais competente de todas”.

Construa a falsa imagem de que a sua equipe pertence a uma determinada geração, e que isso por si só já representa um diferencial competitivo. Tipo “somos da geração Y”;

2. Nada de críticas ou autocríticas.

Não aceite (e não permita que sua equipe aceite) críticas direcionadas ao negócio de vocês ou a forma como ele é conduzido;

3. Não valorize a “Experiência”. Deixe isso claro em um quadro na recepção do escritório.

Ridicularize toda e qualquer experiência compartilhada, comentário ou análise que venha de qualquer profissional que não pertença a geração “eleita”.

Afinal de contas, eles são velhos e na economia 3.0 (poderia ser 4.0, 5.0 ou 6.0, você sabe, os clichês aceitam qualquer bobagem) a experiência é um fator irrelevante;

4. Estimule a cultura do fundamentalismo empreendedor.

Ataque o senso de que estão construindo um negócio que traz utilidade, bons serviços ou produtos junto com bons lucros e resultados.

No lugar disso, estimule a percepção de que irão mudar o mundo e de que nada nem ninguém os deterá.

Mas faça isso com um sorriso debochado e confiante.

5. Nada de formalismos de segurança ou protocolos de conduta.

Não cumpra (e não permita que ninguém cumpra), propositadamente qualquer protocolo negocial.

Não seja pontual, não faça necessariamente aquilo com o que se comprometeu e mude de ideia ou posição sem justificativa ou qualquer cuidado.

Em resumo aja com imprevisibilidade;

6. Seja uma pessoa difícil

Seja agressivo e grosseiro no trato com parceiros, investidores interessados, clientes ou com qualquer outro interlocutor que se aproxime.

Estabeleça punição para os colaboradores mais cordiais;

7. Nada de meritocracia. Adote o mimimi de vez.

Por fim, brinque na linha do precipício

A lista poderia ser bem maior, mas a última dica seria a de eliminar qualquer resquício de bom senso.

E no lugar dele, implantar a ideologia de uma confiança tão inabalável que mesmo na ponta do precipício, ninguém consiga percebê-lo.

Um abraço e até o próximo

 

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