Empreendedorismo: além da retórica e do plano de negócios

Este artigo é patrocinado pela Plataforma Brasil, uma butique especializada em projetos de investimentos e estruturações estratégicas.

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial

Caros leitores, existe um dito popular no mundo da gestão e dos negócios afirmando que “o papel aceita qualquer coisa”. Sim é uma afirmação comum, mas não menos verdadeira e sensata. O papel, as planilhas, as apresentações, aceitam absolutamente tudo.

Desprovidos de qualquer poder, esses meios não fazem distinção entre as ideias mais mirabolantes e inexequíveis, de projeções realistas e planos de ação factíveis. Em resumo, um meio sem mecanismo de exclusão (um dia inventarão um software de uso cotidiano que rejeitará absurdos), um apresentador com grande poder de persuasão e uma plateia desprovida de senso crítico ou intimidada, e pronto, eis que surge a fórmula certa para o desastre.

A questão é que seja no universo empresarial, ou em qualquer aspecto da vida profissional, o produto final de um emaranhado de esforços e ampla dedicação só se materializa em algo consistente com uma execução impecável baseada em um sólido planejamento.

No mundo do empreendedorismo, a retórica jamais pode vencer a técnica, o esforço a disciplina e o apuro de colocar a mão na massa, na hora certa, da forma correta e com ingredientes apropriados. Não há espaço para embromação ou improvisos.

E o mercado, que é o grande juiz das inciativas empresariais é implacável, e não aceita conversinhas

Desta forma, listamos abaixo alguns cuidados essenciais para reduzirmos o distanciamento entre idealização planejada e a vida como ela é.

 

Definindo onde se deseja chegar:

Passo 1. Em uma abordagem realista, envolvendo o board (mesmo que sua empresa seja minúscula, reúna aqui as principais lideranças – e chame isso do que bem entender), levante os propósitos mais relevantes da operação. Com clareza, aqui é importante definir o que fazem, para quem fazem e como desejam fazer no futuro. (O velho e batido papo – porém importantíssimo - de missão e valores). Elabora um documento expressando com clareza estas questões;

Passo 2. Aprofunde um processo de autocrítica, sobre o que definiram no “Passo 1”. Tentem imaginar a análise feita sob a ótica de um investidor, sendo convidado a comprar o risco com você;

Passo 3. Na perspectiva da linha do tempo que deseja projetar/ planejar, estabeleça quais são os principais alicerces a serem erguidos para se atingir o estado definido nos “Passos 1 e 2”;

Passo 4. Estruture uma linha completa e detalhada de objetivos para serem atingidos rumo a “construção” de cada um dos alicerces definidos no “Passo 3”.

Passo 5. Para cada um dos objetivos definidos no “Passo 4”, monde uma cadeia de metas, seguindo uma lógica sequencial.

 

Planejamento e execução:

1. Com o estabelecimento de objetivos e propósitos, pode-se conceber um planejamento detalhado de ações (assim como as respectivas projeções financeiras) que seja efetivamente exequível. Sim, aqui podemos estabelecer pontos e elementos desafiadores que nos empurrem para frente, mas sem maluquices. Ou seja, um planejamento precisa ser realista;

2. Não é hora para vertigens, exageros ou forçadas de barra. Compromissos irrealistas invariavelmente caem no descrédito, e isso vale tanto no mundo empresarial como no pessoal/profissional;

3. Estabeleça uma estrutura detalhada de cronogramas;

4. Em meio a estas concepções será necessário conhecer ou prever o conjunto de obstáculos, resistências e complicações que naturalmente surgirão. Lembre-se, nesta viagem não haverá estradas sem buracos, e mais, alguns buracos aparecerão na última hora, surpreendendo todas as expectativas;

5. Com todos estes cuidados, você poderá cair na armadilha de tentar acelerar o processo ao constatar que a fase de preparação demanda tempo demais. Não deixe esta ideia tomar a sua cabeça e segura a ansiedade. A preparação é o alicerce da execução.

6. Passe para a fase de execução e cumpra os cronogramas com precisão. Aqui, disciplina e organização são temas indissociáveis;

7. Controle a execução com rigor.

 

Calibragem, gestão e envolvimento:

1. Ao longo do tempo, situações não esperadas surgirão, e isso vai demandar ajustes no conjunto de metas, objetivos e alicerces;

2. Na trajetória podem surgir novos posicionamentos alterando o “Passo 1” e isso vai demandar alterações relevantes. Faz parte, um planejamento precisa ser uma peça orgânica dotada de vida. Não é um documento estático;

3. A empresa precisa definir um curador do planejamento, que se responsabilizará por atualiza-lo, e proteger sua execução. É um bom passo rumo a um modelo futuro de boa governança;

4. Envolva a equipe, oferecendo transparência do conteúdo concebido, estabelecendo responsabilidades específicas, solicitando contribuições e cobrando resultados;

5. Monte um protocolo de segurança para que informações estratégicas não sejam revelaras;

6. Cultive o sangue frio e o bom senso, pois algumas correções de rota serão inevitáveis.

 

Conclusões:

Saiba que todos os ventos parecem bons e todas as direções aparentemente são interessantes, para quem não sabe onde quer chegar.

Você pode ser o empreendedor mais corajoso e dedicado, estar envolto por uma equipe criativa, dinâmica e engajada, e ainda dispor de recursos para apostar naquilo que querem fazer, mas de nada adiante tudo isso sem um eficiente casamento entre expectativa, objetivos claros e uma agenda de execução detalhada.

Se esse ingrediente não estiver presente, desperdiçará seus recursos, acabará por afastar a equipe tão bem selecionada, criará confusões societárias por conta da produção de frustações, e afastará parceiros estratégicos e investidores que eventualmente poderiam embarcar no seu empreendimento (e se embarcarem, infernizarão a sua vida justamente por não acreditarem no êxito da execução).

Empreender não é para qualquer um, mas sem um bom planejamento, fica impossível, e ajuda a engordar os índices da mortalidade empresarial no Brasil.

Não participe disso.

Boa sorte e até o próximo.

 

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação

Contar com gente competente é mais do que estratégico

 

Este artigo é patrocinado pela Plataforma Brasil, uma butique especializada em projetos de investimentos e estruturações estratégicas.

Por: Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial

Caro leitor, faz tempo que vivemos o cenário de escassez de talentos gerenciais e de gente competente para operar as empresas e seus negócios.

Reunir gestores dignos de nota e uma equipe brilhante tornou-se uma obsessão nas empresas que desejam se perpetuar, tornando estratégico o processo de seleção ou captação de novos quadros.

Liderança, muito além dos diplomas.

Neste cenário existem alguns fatores de ordem comportamental, que invariavelmente extrapolam a instrução formal - obtida em universidades, cursos técnicos e especializações – muito mais relacionados ao campo das atitudes e talentos, do que a métodos de ensino e conhecimento transferido de forma estruturada.

Trata-se de um agregado raro de encontrar, e que muitas vezes representa o “pulo do gato”, marcando o DNA sempre presente na maioria dos empreendimentos conhecidamente bem sucedidos.

E para facilitar a identificação, seguem abaixo algumas características comuns a estes profissionais absolutamente especiais. (E é claro, na sequência vamos escrutinar alguns perfis dos quais devemos fugir)

Perfis ajustados a uma boa performance.

Quando encontrar alguém assim, traga para dentro.

1. Eles são francos. Estas pessoas não estão lá muito preocupadas com o que você vai pensar de suas opiniões.

Estão prontas para defendê-las e irão confrontar com argumentos;

2. Carregam auto confiança. Cientes de sua capacidade, preocupam-se pouco em provar algo para alguém.

No lugar disso, não se importam em recuar quando são vencidos nos seus argumentos, pois encaram isso com normalidade. Afinal de contas, podem mesmo ter errado em uma avaliação.

Conhecedores do seu potencial, assumem desafios correndo os riscos do fracasso com a mesma naturalidade com que buscam o sucesso.

Em meio a esse perfil, brota a criatividade;

3. São sensatos e equilibrados. Apesar da agressividade em defender ideias e posições e da auto confiança presente, sabem lidar com oposições.

4. Possuem capacidade para o sacrifício. Estas pessoas não se importam em romper noites trabalhando, suportando cargas extenuantes de trabalho.

5. São objetivos e organizados. Atuando de forma absolutamente focada, não perdem tempo com enrolação.

Antes de agir, preparam minucioso planejamento.

6. Bons de relacionamento. Longe do blá blá blá reinante e dos clichês comportamentais corporativos, estas pessoas simplesmente sabem construir relações e atuar em conjunto.

Respeitam adversários, gerenciam equipes de forma harmônica, edificam laços de confiança e fogem dos arroubos da vaidade.

Essa atitude atrai não apenas bons resultados, mas evitam desnecessárias dores de cabeça, como por exemplo a alta rotatividade nas empresas.

7. São céticos seletivos. Não se trata aqui de um comportamento onde a descrença seja sempre preponderante, mas estes profissionais possuem inteligência suficiente para entender que nem tudo merece crédito.

Com senso crítico aguçado, questionam e realizam analises cuidadosas antes de firmar conceitos e assumir verdades absolutas;

8. Apegados aos detalhes. São conscientes de que o papel aceita qualquer coisa, e de que apenas pensar estrategicamente não basta para atingir resultados concretos;

Sabem muito bem que uma boa liderança não se descuida dos detalhes, e que é ali, às vezes em mínimas brechas, que a execução não ocorre e um projeto pode nunca deixar de ser apenas um sonho.

Por outro lado, existem alguns tipos muito comuns que precisam ser evitados.

Eles desagregam equipes, provocam o afastamento de talentos e inibem uma dinâmica inovadora e estimulante.

Não estão realmente preocupados com o desempenho, e mantém um conceito deturpado de boa performance. Com eles não há stress criativo, e enchem o ambiente de conflitos desnecessários.

Se você deseja empurra a sua empresa ou projeto ladeira abaixo, corra atrás dos seguintes perfis.

1. Confuso e enrolado. Conectado com as mais inovadoras formas de comunicação e interatividade, não consegue retornar ligações, e-mails e mensagens em tempo hábil ou razoável.

Consegue se enrolar nas atividades compromissadas, e traveste de criatividade aquilo que na realidade é pura confusão mental;

Eles são contagiosos

2. Desorganizado. Um comportamento primo-irmão do anterior, mas que fragiliza a execução de ações planejadas.

3. Inconstante. Aqui não se trata de confusão mental ou desorganização. A verdade é que aqui a ansiedade constante, a dificuldade de manter o foco e a falta de paciência fazem com que se desviem dos objetivos originais combinados.

Quando você menos espera ou quando mais necessita do seu apoio, ele já está em “outra” (onde provavelmente não ficará por muito tempo também).

4. Desonestos e não transparentes. Bem, aqui não há o que comentar. (Detesto platitudes nos meus textos)

5. Excessivamente otimistas, megalômanos e ingênuos. A sua desconexão com a realidade, fazem com que exagerem na projeção dos resultados e tempo de maturação.

É o tipo de  colaborador que impossibilita projetos de médio e longo prazo, além de representar um risco permanente aos custos e despesas envolvidas por conta da megalomania.

O excesso de otimismo mata qualquer operação

6. Enrolador convicto. Em geral atua com convicção e forte capacidade de persuasão para preservar sua condição “embromatória”.

 A sua falta de energia produtiva acompanhada de total insegurança para tomar decisões e assumir riscos, acaba por forjar um comportamento dissimulador constante, confundindo o interlocutor ao longo dos processos de trabalho.

São geralmente bem humorados, sua apresentação pessoal é impecável e sorri com facilidade, sempre desarmando as constantes cobranças de seus pares, parceiros, subalternos e superiores.

O problema é que nas suas mãos, projetos, acordos, e negócios, geralmente patinam, embora ofereçam a falsa imagem de movimento constante.

É isso meus caros, estamos cansados de saber que não há sucesso sem gente capaz e bons líderes, assim como o fracasso é certo quando a empresa é tocada por pessoas sem capacidade

Então, ao encontrá-los, não perca tempo, trazendo para dentro ou expurgando quando necessário.

Até o próximo.

 

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Economia brasileira: o bunker sitiado e sua síndrome - parte 2

Este artigo é patrocinado pela Plataforma Brasil, uma butique especializada em projetos de investimentos e estruturações estratégicas.

 

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial

 

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Meus caros, não é sempre que se acorda inspirado no dia em que se precisa entregar um artigo escrito. Simplesmente é algo que não se controla, mas quase sempre, quando a inspiração falta, o esforço precisa compensar. Por outro lado, quando ela bate na porta, me sinto agraciado por dois elementos: conexão imediata com o texto e economia de tempo com boa qualidade final (ao menos pela minha ótica, veja bem).

Contudo, em tempos de bunker sitiado, quando a imaginação falha o noticiário ajuda. E hoje não foi diferente. Acesso os jornais e vejo as notícias direto do bunker, onde se aborda os últimos acontecimentos da reunião ministerial pós reforma.

Acreditem, não deve ser fácil a vida no bunker, e desta vez sobrou até para o Paraguai, que está ali quietinho, observando os acontecimentos políticos no gigante adormecido.

Li em uma matéria da Folha de São Paulo de que a nossa Líder referiu-se a movimentação que ocorre no parlamento pelo seu impedimento, como um possível “golpe democrático a paraguaia”, fazendo inicialmente óbvia referência ao ocorrido com o presidente impedido Fernando Lugo. Não satisfeita em desqualificar os dispositivos previstos na própria constituição, com rito, processo e encadeamentos claramente regulamentados, completou a “pedalada” afirmando que “o Brasil não é o Paraguai” e que “temos instituições fortes”, atribuindo um desnecessário julgamento implícito sobre a solidez das instituições do Paraguai.

Isso tudo, depois de uma semana desastrosa na qual o governo empreendeu uma forte ofensiva dirigida ao relator do TCU, colhendo como resultado a unanimidade do tribunal tanto no apoio ao relator, como na reprovação das contas governamentais apreciadas, que agora passam sob a análise do congresso  (que por sua vez, aproveitou para deixar claro sobre o poder que detém sobre a sua própria agenda, ao não votar os vetos presidenciais relacionados a pauta bomba ainda restante.)

Porém, as contribuições no bunker surgem de todos os lados. Com a reforma ministerial fresquinha, e a equipe econômica insistindo  no argumento de que a nova CMPF duraria por curto período e de que até por esse motivo não seria assim tão danosa ao contribuinte - que convenhamos vive para pagar impostos-, eis que o novo ministro da saúde surge e como uma de suas primeira declarações na nova pasta, afirma defender que a CPMF seja definitiva. Isso mesmo leitor, para sempre, eterna.

É isso, seguimos acompanhado, mas fica aqui um questionamento para pensar. O que seria do governo se tivesse que enfrentar uma oposição organizada?

Em resumo, sobrou para o Itamaraty.

Até o próximo

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Afastando investidores

Este artigo é patrocinado pela Plataforma Brasil, uma butique especializada em projetos de investimentos e estruturações estratégicas.

Por: Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial

 

Caro leitor, desta vez darei um descanso ao mundo político macroeconômico, e também ao corporativo. Volto a minha atenção ao tomador de clássico tomador de risco, a saber, o empreendedor – este incompreendido.

Então, caso seja você este ser desprovido de compreensão por conta de mais de trinta anos da predominância do pensamento de centro - esquerda/ esquerda - esquerda que impera no nosso Brasil varonil (veja, a ideia não era essa, mas não consigo evitar as conexões políticas, quando me dei conta escrevi) e que se encontra desprovido de capital próprio para tocar a sua ideia e necessita do capital de terceiros, seja ele originado em um venture capital ou em um conjunto de investidores anjo, um Plano de Negócios será peça fundamental para o êxito da captação.

Neste contexto é redundante explorar sobre o quanto de efetividade e clareza devem estar expressos no documento que será elaborado, e é óbvio que ninguém deseja projetar o seu negócio a partir de um Plano de Negócio ineficaz e sem sentido, mas por mais elementar que isso possa parecer, algumas armadilhas no momento de sua concepção, podem resultar justamente no efeito contrário ao desejado.

Então, já que existem inúmeras publicações que abordam como concebê-los, mas quase nenhuma ou pouquíssimas deixam claro o que não se deve fazer na hora de montar o seu business plan, decidimos caminhar na contramão e exibir justamente o que deve ser evitado a todo custo.

Vamos lá:

1. Ocupe um imenso espaço do conteúdo com informações subjetivas, retóricas e de entendimento abstrato do negócio;

2. Não apresente uma tese clara de investimentos, explicitando objetivos e destinos claros, e nem se preocupe em detalhar o empenho deste capital pretendido;

3. Preocupe-se em conceber um material extenso, com muitas e muitas folhas de papel, sem nem mesmo reservar um breve espaço a um resumo conciso e executivo do negócio. Sim analistas dispõe de todo o tempo do mundo para avaliar uma incógnita;

4. Não esclareça com bom detalhamento as memórias de cálculo;

5. Não apresente um claro estudo de viabilidade econômico-financeiro;

6. Projete apenas por um único ano, no lugar de 5, 6 ou mais anos;

7. Não se preocupe em abordar sobre as possíveis estratégias de saída de um potencial investidor;

8. Não apresente as taxas internas de retorno;

9. Não posicione o negócio no contexto que envolva concorrentes, mercados e segmentações;

10. Conceba uma modelagem financeira engessada que não permita a formatação de novos e adversos cenários;

11. Dedique um bom espaço para a retórica politicamente correta nas empresas. Investidores adoram isso.

12 Carregue no otimismo com as informações que apresentar. Neste caso não se importe em expor fundamentações.

Boa sorte e até o próximo.

 

A Plataforma Brasil Editorial atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação

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