Pesquisa aponta que a prática da inovação alavanca desempenho de franquias no Brasil

Estudo mostra que 91% das franqueadoras investiram em atividades inovadoras. Destas, 50,7% afirmam que ampliaram sua participação no mercado e 43,1% aumentaram sua rentabilidade

 

A Associação Brasileira de Franchising (ABF), em parceria com a Confederação Nacional de Serviços (CNS) e, baseada em metodologia desenvolvida pela Fundação Dom Cabral (FDC), divulgou a 1ª Pesquisa de Inovação nas Franquias Brasileiras. O levantamento revela que do total de empresas franqueadoras pesquisadas, 91,8% introduziram algum novo produto ou serviço entre 2014 e 2016 – seja na própria empresa, no mercado nacional (57,3%) ou mundial (11,1%) – e apenas 8,2% delas não o fizeram. Dentre as empresas que se mantiveram inovadoras, 37,4% realizaram mudanças significativas em seus modelos de negócios. Ainda quanto às iniciativas criativas que levaram à inovação, 45% das empresas implantaram equipamentos, técnicas ou softwares novos na empresa. “A inovação já faz parte da agenda do franchising brasileiro. Nos mais diversos segmentos, constatamos iniciativas que levaram à inovação, seja em novos modelos de negócios, no e-commerce, no uso de novas tecnologias, como no caso da realidade virtual, da Internet das Coisas, etc. Tudo isso tem um papel positivo no setor, especialmente quando observamos ganhos de eficiência e resultados concretos que se refletiram nesta pesquisa e no desempenho do setor nos últimos trimestres”, afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

Rentabilidade e Desempenho

A pesquisa ABF/CNS revela que, apesar da crise, as franquias mantiveram os investimentos em inovação, o que se mostrou fundamental para a manutenção do crescimento e rentabilidade dos negócios. Do total de empresas respondentes, 50,7% concordaram plenamente e 28,7% parcialmente que a inovação ampliou sua participação no mercado. Já para 43,1% delas, houve plena concordância de que as iniciativas inovadoras aumentaram sua rentabilidade, enquanto que 41,8% concordaram parcialmente com essa afirmação. “Esses resultados nos mostraram que para inovar as redes entenderam que era preciso continuar a investir na eficiência das operações, na adoção de novas técnicas de gestão, novos modelos de negócio e canais de venda, dentre outras ações, o que ficou muito em linha com outras pesquisas e iniciativas desenvolvidas pela ABF para fomentar o crescimento sustentável do mercado de franquias no Brasil”, observa o presidente da ABF.

O levantamento também indicou que os esforços em inovar trouxeram expressivos avanços para as franqueadoras respondentes no biênio analisado (2014-2016): 56,7% concordaram plenamente que houve melhoria na qualidade dos serviços prestados e para 54,4%, a inovação ampliou sua capacidade de prestar serviços.

Estrutura e Processos

O estudo revelou, ainda, que as redes de franquias têm uma grande oportunidade para investir mais em estruturas de desenvolvimento: 50,5% das empresas respondentes possuem um responsável pela gestão da inovação e 42,5% delas dispõem de um centro de P&D. Porém, por sua característica colaborativa, ser estruturado em rede, promover a troca constante de informações entre franqueador e franqueado, o franchising mantém o motor da inovação em marcha interagindo com seus públicos.

 As parcerias estratégicas que levem à inovação, iniciativas comuns no franchising, são de grande relevância para o setor. Essas parcerias envolvem desde fornecedores, concorrentes e até consumidores. É o caso, por exemplo, de ações como cliente oculto, parcerias entre redes (aliando marcas e produtos em promoções e outras ações de vendas), aproximação com startups, etc. Ou, investimentos em centros de treinamento com metodologia inovadora e diferenciada, como é o caso do ‘test drive’ de franqueados implantado pela Ùnico Asfaltos, que coloca grupo de franqueados durante 40 dias desenvolvendo o dia a dia de uma operação completa, tudo com a supervisão e participação ativa do franqueador. No processo, os franqueados mantém uma rotina de lições e avaliações, que passam pelo aspecto operacional, administrativo, jurídico e comercial. “Ensinamos desde a fabricação do asfalto até o fechamento de negócios com os clientes. Com a proximidade da franqueadora, valorizamos o humano e o físico, em um modelo de aprendizado intensivo e de imersão. É uma oportunidade de o parceiro sentir se é aquilo que realmente espera do negócio”, afirma o fundador Jorge Coelho. Além do método inovador de treinamento, os interessados em adquirir uma unidade podem fazer um ‘test-drive’ de um dia no local.

Tecnologias

Quanto ao uso das tecnologias de informação (TI) com o objetivo de inovar, as redes pesquisadas direcionaram volumes de investimento relativamente maiores aos sistemas de armazenamento e computação em nuvem. 33% revelaram ter altos investimentos em tecnologias online-to-offline (O2O). Já os sistemas avançados de robótica e machine learning receberam menos recursos, mas têm um potencial de impacto maior no médio e longo prazo. 

A 1ª Pesquisa de Inovação nas Franquias Brasileiras foi feita por amostragem, envolvendo 198 redes respondentes. Um amplo questionário para investigar o processo de inovação em diversos setores da economia foi adequado, pela ABF, ao setor de franquias e a aplicação da pesquisa foi feita por meio de seu sistema de inteligência de mercado. 

 

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